07/07/2013

As Sete Características do Joio

Texto: (Mateus 13. 24-30).
Leitura: “...: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se”.

Introdução.

Jesus quando esteve na terra fazendo a obra, estabelecendo as diretrizes para formar sua Igreja, falou de várias formas. A mais comum foi em forma de Parábolas. Suas parábolas eram ensinamentos e ao mesmo tempo exortações reflexivas para que o povo ouvindo-as não as compreendesse de imediato. Mas, em muitos casos chamava seus discípulos e as esclarecia. Uma dessas parábolas chama muito a atenção por sua peculiaridade e pelo fato de estar sendo, cada vez mais, vivenciada na realidade dos dias atuais. É a parábola do trigo e do joio!
Uma das passagens bíblica muito usada por alguns dos pregadores mais renomados e, principalmente por líderes que, visando proteger a lavoura de Cristo, os cristãos, aplicam-na com o objetivo de alertá-los quanto à intenção do maligno. Uma intenção única de desvalorizar o sacrifício do Senhor e levar muitos à apostasia e ao limbo da ignorância quanto à separação que o Senhor requer dos seus “santos”.
A parábola é uma alerta para a Igreja nesses últimos dias, pois de maneira dissimulada, o diabo lança o joio no meio do trigo, e o trigal do Senhor sofre danificações incalculáveis. Tais como: desunião, inveja, porfias, maledicências, ciúmes, contendas..., etc. O ministério fica abalado e perde força quanto à “sã doutrina da Palavra de Deus”. Os comichões começam a aparecer, e os incautos vão ajuntando doutores para sua própria perdição. O “semeador do mal”, isto é, do “joio” é implacável quanto a isso. Não deseja o bem de quem quer que seja. Ele quer a ruína da seara santa de Deus. Basta uma olhadela para os escândalos que envolvem lideranças e postulados da fé, é uma constante nos dias de hoje...
Final dos tempos? Sim. É o cumprimento da Palavra de Deus, e por isso intentamos somar esforços para combater esse mal tão existente no seio da Igreja de Cristo. Não é intenção arrancar o joio, pois sabemos que no dia da ceifa ele será colhido junto com o trigo, separado e lançado no fogo ardente, “ali haverá pranto e ranger de dentes”. Mas, para não sermos pegos de surpresa passaremos às representações das “Sete Características do Joio”, veneno lançado para matar a santificação que o Senhor tem dado aos seus servos, afim de que sejamos rejeitados pela influência do mal.

Cizânia (Joio).
“É a tradução grega Zizanion em Mt 13.25-27; 29,30. A cizânia (Vicia sativa), espécie de ervilha brava, com folhas pinuiladas e com flores papilionáceas de cor azul-purpurino ou vermelha, facilmente se distingue do trigo. A palavra grega Zizanion corresponde ao vocábulo árabe zuwan, que é o Lolium, e no talmúdico zonin. A cizânia peluda (Lolium temulentum) é uma gramínea venenosa e quase não se distingue do trigo, enquanto ambas as plantas são ainda novas, mas, depois de crescidas, não se confundem mais (vv. 29,30)” [1].

Em Mateus 13, Jesus propõe quatro parábolas que se interligam pelo seu conteúdo de responsabilidade para com a Palavra de Deus. Porém, a ênfase proposta está sobre a parábola do trigo e do joio; porque o inimigo não cessa de atentar contra a vida dos fiéis em Cristo Jesus. Sua intenção, nessa ilustração é clara e concisa. Fazer com que o trigo sofra e morra durante o processo de germinação e crescimento. Ele não quer que a semente venha a vingar e tornar-se alimento para os necessitados e famintos – “... fome por justiça”. Portanto, pelas características do joio poderemos zelar pela Seara do Senhor, propondo ensinos que sejam relevantes para a edificação daqueles que sentem “a fome de justiça”. O Reino dos céus é comparado a um campo que fora semeado pelo homem com boa semente – trigo. Mas, dormindo o homem, à noite veio seu inimigo e semeou o joio – tentativa de danificar a lavoura trigal. (Mt 13.24,25).
Para que isso não aconteça enquanto aguardamos a ceifa, devemos observar as sete características do joio, vistas como alerta para muitos que estão despercebidos. O inimigo não brinca em serviço, sua meta é danificar o quanto ele puder, e muito, a vida de todos os fiéis plantados no campo “Reino dos céus”. Entretanto, a clareza do texto enfatiza o fim de ambos, o joio e o trigo: Um será colhido para o celeiro celestial, o outro irá a molhos para o fogo eterno. Todavia não devemos deixar a vigilância esvair-se na preguiça da meditação, pois isso acarretará um esmorecimento e morte espiritual. 
Vejamos as sete características do joio:

 I.         Falsas Testemunhas.

A falsidade é um sentimento de fraqueza próprio dos que não se concentram na liberdade constituída por Cristo àqueles que foram comprados, lavados e remidos no seu sangue. Onde, após esse ato relevante, estabelece a responsabilidade de sermos sinceros uns para com os outros. Mas, infelizmente não é o que vemos no meio da cristandade, pois uma das características do joio é a “falsa testemunha”. Uns dos exemplos de falsas testemunhas são visto no episódio de Estevão “o primeiro Mártir da história da Igreja”. Seu ministério foi muito especial. Estevão cheio de fé e de poder fazia prodígios e maravilhas entre o povo. Seu testemunho corajoso irou os membros das sinagogas. Quando esgotaram seus argumentos bíblicos, apelaram à violência, aliando-se com falsas testemunhas. E confiou o resultado desejado à violência de uma turba.
Estudando a pregação de Estevão, podemos entender as falsas acusações contra ele. A pior calúnia sempre tem como partida a verdade mal interpretada: “Proferir palavras blasfemas contra o santo lugar...” Estevão declarou que o Senhor não se limitava ao prédio como se essa fosse a verdade divina. Ele repetiu a profecia de Jesus sobre a queda do Templo. A mudança dos “costumes que Moisés nos deu”. Isto é, Estevão pregou que a Velha Aliança, com seus dogmas, fora cumprida em Jesus Cristo. “Palavras blasfemas contra Moisés” – quer dizer, disse que Moisés é inferior a Jesus – “... e contra Deus” – ensinou a divindade de Cristo[2].
Ao falar a verdade da Palavra de Deus em suas pregações, Estevão atiçou a ira dos religiosos da época, portentosos defensores da Lei Mosaica. Esses deveriam ser a irmandade genuína como aqueles que defenderiam a divindade do Filho de Deus após sua morte e ressurreição sobre o Calvário. Mas ao contrário, continuaram na religiosidade da Velha Aliança. Entretanto, O Senhor preparou a sua Igreja para a Grande Comissão de levar sua verdade salvadora após cumprir toda a Lei. Estevão, como primeiro mártir sofreu pela Verdade, Jesus Cristo.
Ao falar a verdade, crentes há que são terrivelmente perseguidos por causa da inveja e do ciúme, entre outros sentimentos diabólicos. Levantam falsos testemunhos, arranjam esquemas inescrupulosos com o objetivo de se autopromoverem e se manterem na crista da onda. Fazem de tudo para esse fim, inclusive caluniar e difamar...
A verdade é contra as intenções que não sejam baseadas nas santas doutrinas bíblicas. A nova trajetória dos discípulos de Cristo era permeada desses sentimentos. As perseguições tinham como base as falsas testemunhas. Era comum nesses primeiros passos da Igreja de Cristo.
Estevão era acusado de ser blasfemador. Os acusadores, as falsas testemunhas e juízes, no entanto, “viram o seu rosto como o rosto de um anjo”. Não parecia um inimigo da religião. Isto deve ter dado o que pensar aos judeus, principalmente ao jovem Saulo de Tarso.
O discurso de Estevão é o mais longo registrado no Novo Testamento. Isto ressalta o ministério dele como ponto de partida crítico no progresso do Reino de Deus. Estevão se tornou o fator principal para a abertura da Igreja aos gentios, culminando na conversão de Saulo. A crise se desenvolvia da seguinte maneira: A primeira igreja era composta quase exclusivamente por judeus. Não deixaram imediatamente a Lei de Moisés e suas tradições nacionais. Havia o perigo dos cristãos judaicos, em Jerusalém, se apegarem demasiadamente à Antiga Aliança. Isto, os impediriam de cumprir sua missão com relação às nações. Por muitos anos a pregação do Evangelho limitou-se aos judeus. Mas, uma visão celestial impulsionou Pedro a levar o Evangelho aos gentios (At 10). Apesar disso, alguns cristãos judeus exigiam que os gentios se fizessem judeus para se tornarem cristãos (At 15. 1,2).
A Igreja não ficou à mercê das tradições humanas. Jesus tomou as medidas necessárias. Livrou seu povo do judaísmo e da influência da aliança ultrapassada. O método empregado foi a perseguição despertada pelo ministério de Estevão. Ele, jovem diácono, discerniu o sentido profundo e amplo do Evangelho. Com coragem pregou a completa falência da Antiga Aliança por meio do ministério de Jesus. Falou sobre a destruição do Templo como um sinal para Israel. Deus o rejeitava como seu povo, ficando os seguidores de Cristo no seu lugar... Falou aos líderes judeus que os israelitas nunca entenderam os planos de Deus. Sempre perseguiram os que foram enviados por Deus. E ainda mais, disse que o templo era dispensável, porquanto Deus se revelara a pessoas em todo e qualquer lugar. Moisés mesmo tinha predito o surgimento de um profeta semelhante a ele, o que implicaria em uma Aliança. Concluiu com vibrante denúncia, enchendo de fúria os líderes, causando seu próprio martírio e dando início a uma campanha de extermínio contra o Cristianismo. O ministério de Estevão libertou a Igreja do seu ancoradouro judeu, de maneira eficaz e completa![3]
A verdade do Evangelho desencadeia rupturas com o que é tradicional e sem mais efeito. Estevão, cheio do Espírito Santo, foi levantado para ser um atalaia contra a hegemonia dos religiosos, que teimavam em manterem-se na Velha Lei, a qual a seu tempo tinha sido cumprido com a plenitude de Cristo encarnado, perseguido e morto como predito. O próprio Israel se encarregara como instrumento de Deus, de rejeitar a Nova Aliança pelo sangue de Cristo. Agora, fica o fato de que, todo aquele que é chamado por Deus para uma grande obra, sofrerá perseguições com as falsas testemunhas, sejam elas de que ordem for...
Estevão se viu frente aos seus acusadores que foram aliciados para este mesmo fim, isto é, a sua vida fora de mártir, mas com isso a Igreja saiu vitoriosa e com um novo ânimo para ser mais que vencedora.
As falsas testemunhas ainda perambulam pelo meio da Igreja buscando novos mártires para seu deleite diabólico e alegria carnal com o propósito de danificar a obra do Senhor. Porém, “quem intentará acusação contra um justo"?...

 II.        Falsos Irmãos.

O que dizer dos falsos irmãos? Estes andam entremetidos na comunidade cristã... Sua intenção é sondar os direitos alheios, a fim de transtorná-los com vilipendiosos ataques contra a moralidade cristã.
Paulo enfrentou essa situação na cidade de Coríntios e na Galácia. Ele escreve: “E isto por causa dos falsos irmãos que se tinham entremetido, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão” (Gl 2.4).
Alguém fora incumbido de espiar e examinar o funcionamento e ensino nas Igrejas dirigidas por Paulo, na Galácia. Ele refutou este tipo de comportamento dos falsos irmãos.
Pode ser que os judaizantes houvessem se fingido de cristãos, adotando os mesmos ensinamentos dados por Paulo, mas na verdade, o objetivo não era este. Talvez quisessem se infiltrar entre os crentes somente com o objetivo de semear, entre outras heresias, a circuncisão. Infelizmente, as mesmas contingências ainda ocorrem nos dias atuais nas igrejas. Assim é que muitos prejuízos têm sido causados à obra pela ação de falsos irmãos.
Paulo mencionou os princípios mais sagrados da fé cristã. Qualifica o meio ambiente das igrejas da Galácia de liberdade. A infiltração de falsos irmãos nas igrejas fundadas por Paulo causou-lhe grandes sofrimentos. Portanto, tinha razões de sobra para alegar as mazelas dos crentes em Coríntios (2 Co 11.26,27).
Enquanto os judaizantes se estribavam no cerimonialismo tradicional dos ancestrais, Paulo enfatizava o Evangelho, afirmando que a fé não impunha jugo pesado aos crentes gálatas, já que estavam libertos da escravidão mosaica (Rm 8.2). Paulo entendia que a fé em Jesus Cristo está acima de todo e qualquer ritualismo judaico (Rm 2.14).
Paulo considerava os preceitos da lei de Moisés uma escravidão. Assim, Jesus chamou os fariseus de sepulcros caiados, porque se apegavam às coisas mais simples da Lei, no entanto, nada mais eram do que simples escravos. Pois, a dureza de seus corações era contumaz e não entendiam que Jesus era a solução para remover o impasse religioso. Assim, quando dito da escravidão em que viviam, achavam que eram libertos e filhos de Abraão (Mt 23.27; Jo 8.33-36).
Não bastasse falsas testemunhas, agora temos o problema que envolve falsos irmãos. Esses que se dizem chegados, mas na verdade são verdadeiros lobos devoradores de almas. As imposições religiosas chegam ao cúmulo do ridículo, com distorções da doutrina bíblica e invencionices paranormais que sequer estão no texto sagrado. Essa atitude, que chega à beira da insanidade espiritual, tem levado muita gente ao abismo sem fim e sem volta. Quantos não se desviaram porque foram maltratados na sua liberdade espiritual e deixaram se levar pelo antagonismo ético?
Comumente se prega uma coisa, mas vive-se outra completamente oposta ao que se pregou. A ingenuidade de muitos crentes tem sido a ferramenta mais usada pelos fariseus de tribunas para auferirem propósitos que não tem nada a ver com a obra de Deus... – como se Deus não estivesse a olhar e esperando o momento certo para agir.
Falsos irmãos se desvendam em verdadeiros “sepulcros caiados” – por fora adornados dos mais suntuosos aparatos religiosos, mas por dentro, podres como carcaças em decomposição. Fedem diante das narinas santas de Deus. Um Deus que se levanta no seu alto e sublime trono para agir. Mas, como a porta da graça está aberta, deleitam-se na vaga do tempo que parece não urgir mediante a repentina volta de Cristo. E assim vão de tribuna em tribuna, aliciando novos seguidores, e também novos desviados desprovidos de uma fé fundamentada em Cristo Jesus, vão caindo pelo caminho estreito, deixando-se levar pela incontinência dos irmãos religiosos – diga-se: falsos irmãos.
A amizade entre cristãos deve ser permeada de sinceridade e humildade na relevância da adoração a Deus. Um adorador sincero é um irmão sincero. Um adorador humilde é um irmão que se desprende da soberba, fugindo dela para esconder-se sob a cruz de Cristo, pois foi ali que ele deu o maior exemplo de adoração a Deus-Pai, e o maior exemplo de humildade, entregou-se a si mesmo por amor de muitos...
A falsidade entre irmãos é comum hoje em dia, digo com relação à cristandade. Nem todos querem se adequar à sã doutrina para obter um ensinamento com base nos frutos do Espírito. Tem gente quem nem sabe que isso existe e se encontra no Texto Sagrado! A Bíblia é um estandarte decorativo que, e quando utilizada, é para hostilizar o próximo. A calúnia, perseguições, maledicências e outras coisas mais [...], tornam-se a doutrina daqueles que se enquadra na conivência mundana, tal como os fariseus filhos de Abraão.
Essa era desculpa dos religiosos nos tempos de Jesus – a Lei era tudo. Porém, não contavam que ela seria plenamente cumprida sob profecias da própria “Lei”. Além disso, a lei exemplifica que só é utilizada quando há delito/crime. E quem são os seus utilitários? Pense bem meu irmão!
Os falsos irmãos, entremetidos na comunidade cristã, nos tempos de Paulo, causaram-lhe grandes sofrimentos. E como está sendo nos dias atuais? Será que há diferença? Qual é a nova desculpa quanto ao que deve ser feito e não se faz?
As admoestações cederam lugar aos animadores de platéia, pois os ouvintes se foram, ou não se contentam mais com as chocarrices dos palhaços vestidos de crentes. Querem algo substancioso para satisfazer os anseios da alma; querem o bálsamo para curar suas feridas abertas pelas pedras da perseguição caluniosa e difamativa da moral, da família, da liberdade cristã ofertadas pela índole do Santo de Deus, o Salvador e Senhor Jesus Cristo.
Deus em seu alto e sublime trono descansa, observando a natureza da criatura se deteriorar nas invocações que jamais subirão a Ele. Os falsos irmãos se misturam ao povo de Deus – seus filhos por adoção em Cristo Jesus, esperando o cumprimento da graça. Então se levantará e julgará com retidão a tudo e todos, mais do que se possa imaginar, e os falsos irmãos terão cadeiras cativas no mais profundo abismo da sua própria perdição.
Que Deus possa perdoar, renovar e avivar a “todos” os crentes nessa última hora para que não se torne um Estevão, mártir pelas mãos dos próprios “irmãos”...

III.       Falsos Apóstolos.

As questões fundamentais das Sagradas Escrituras estão caindo no ostracismo pelas inovações que tem aparecido ao longo do tempo. Essas inovações têm gerado conformismo e aberto uma estrada para os oportunistas que vêem um meio de se darem bem. As questões fundamentais que corroboram os ensinamentos de Jesus ficam alienadas a um pensamento despotista do tipo “faça o que eu mando e não faça o que faço”. Com esse pensamento tão medieval e sem sentido, alguns oportunistas em meio à irmandade cristã estão sugando a fé alheia a fim de se firmarem como estrelas. Fazem dos cultos verdadeiros shows com animação e tudo o mais. Porém, são estrelas sem um céu e jamais o alcançarão, pois no céu não entra (pecado) tirano.
Por constarem, nos anais da história, a trajetória do mundo, percebemos que entre a humanidade sempre surgiram imperadores que com suas conquistas impuseram regimes escravagistas sobre os comandados. Por isso, a despeito de todo ensino de Jesus, mesmo ressurreto, ainda têm surgido muitos desses tiranos, agora sob a égide da pregação supostamente evangélica. Na verdade fizeram da fé um produto de consumo com o objetivo de enriquecerem. Entretanto há uma exortação na Bíblia Sagrada que contradiz tais posturas entre os evangélicos (cristãos).
Essa exortação foi escrita pelo apóstolo Paulo a Timóteo na epístola que diz: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” (2 Tm 3. 1-5).
Paulo escreveu esta carta prevendo os últimos dias. E é exatamente nesse tempo que temos visto aparecerem os falsos apóstolos. Estes se intitulam enviados de Deus e, em alguns momentos, julgam-se verdadeiros deuses da filantropia eclética de uma religiosidade que não se enquadra nos padrões normais e santos que a Bíblia Sagrada registra. A realidade se espelha no que Paulo escreveu aos Coríntios, e diz: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes com razão o sofrereis” (2 Co 11. 3,4).
Os falsos apóstolos andam à solta, espreitando almas para seu proveito próprio. Veja o caso de Judas Iscariotes. Um discípulo de Jesus que aproveitou uma única oportunidade para se dar bem. Com extrema falsidade, não se rogando de bondade, foi e vendeu o Mestre por trinta moedas de prata – o preço de um escravo. Assim se vendem produtos elaborados à base de fé e adoração, falsificados, para ofertarem a um Deus Santo.
O apóstolo Paulo, ainda aos Coríntios, continua a sua carta escrevendo: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme suas obras” (2 Co 11. 13-15).
Falsos apóstolos, falsos enviados... Paulo defendia seu apostolado diante de uma congregação de crentes que mais visavam o ventre e a carnalidade do que a espiritualidade. No capítulo 5 da primeira carta observamos o grau de impurezas que havia nessa igreja. Paulo foi taxativo quanto à sua defesa, pois se tratava de influências de falsos apóstolos.
O povo desse lugar julgava-se muito sábio, porém essa sabedoria de nada estava adiantando para a edificação da igreja. Observe: “Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes” (1 Co 1. 19). Não é sabedoria mais do que Deus... Muito menos Deus se deixa levar por palavras de homens... Menos ainda pode ser manipulado pelo que se tem...
Por causa das dissensões entre irmãos, os falsos apóstolos se aproveitam para elevarem ministérios sem a confirmação de Deus. Ajuntam um povo indeciso, sem estrutura doutrinária, e sem orientação quanto ao seu real estado de arrependimento. Muitos querem se dar bem na vida, principalmente na ordem financeira. Dessa forma os falsos apóstolos erguem suas bandeiras que tem, como principal brasão, o cifrão, representando as quantias (riquezas) a que os seus devotos devem alcançar – isso com aplicação plena de tudo que se tem.
Suas campanhas desestruturam a fé perfeita em Cristo Jesus, pois a pobreza é sinônima do pecado. Ora, quem disse que ser pobre é pecado? Então se pergunta: “Que Cristo é esse que estão pregando por ai?” Sinceramente eu não sei! Mas, que não é o Cristo da Bíblia isso não é! O produto mais intitulado no rol desse povo é o tal de “RECEBA” – jargão de marketing pobre e sem qualquer base bíblica...
Entretanto, para receber alguma coisa da parte de Deus, o princípio elementar é a obediência seguida de renuncia total a tudo que possa impedir o relacionamento íntimo com Deus. Somente assim o “RECEBA” poderá tomar forma e acontecer em nossas vidas, caso contrário tudo será inútil e acarretará na decepção espiritual da graça.
Os falsos apóstolos estão por aí! Levam uma vida sectária entre as mazelas de suas atitudes. Ora se mostram persuasivos quanto à Palavra de Deus – recebendo os ensinamentos cabíveis representado por ela; ora se revelando déspotas e rudes no trato aos seus semelhantes. A religiosidade é a marca registrada na vida desses entremetidos no seio da cristandade, o que os fazem perseguidores da liberdade espiritual outorgada pela manifestação do Espírito Santo. A crítica é outra marca desses “apóstolos” embusteiros e indignos quanto aos mandamentos éticos e morais, santificados pelo Senhor Jesus.
Por fim, para arrematar o enunciado, fica o relato do apóstolo Paulo quanto ao exemplo de um falso apóstolo, quando ele escreve dizendo o seguinte: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica; Crescente, para a Galácia, Tito, para a Dalmácia... Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras” (2 Tm 4. 10,14).
Que Deus seja glorificado hoje e sempre, pois a ele pertence toda a honra e a glória... E que os falsos apóstolos possam encontrar oportunidade de regeneração quanto ao trato e responsabilidade para com a Palavra de Deus. Que suas resistências possam dar lugar ao verdadeiro amor e prática pela “fé que uma vez foi dada aos santos”.

 IV.       Falsos Obreiros.

À semelhança do falso apóstolo, encontramos citações a respeito do falso obreiro. “Estes homens, eu vos digo, são realmente falsos obreiros, impostores, criaturas que se mascaram como missionários do Messias. Não me digam que isso seja impossível, pois até Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é de admirar então se os seus agentes também se disfarçarem em servos da justiça. Seu fim corresponderá às suas obras” – palavras parafraseadas de Paulo (2 Co 11. 13).
“Obreiros fraudulentos” significam que não usam de sinceridade quanto ao manuseio da Palavra de Deus, muito menos aplicam a sã doutrina nela revelada. Fazem de suas plataformas um meio de justificarem os extremos oportunistas a que se dão, a fim de obterem um retorno materialista e financeiro.
A discussão dessa pauta leva o apóstolo Paulo à autodefesa de seu ministério entre os gentios para dissipar qualquer mal entendido entre os crentes, já que entre eles estava infiltrado o “falso obreiro”. Talvez houvesse alguém que tivesse feito alguma crítica a esse respeito. E isto desencadeou uma insatisfação entre os Coríntios. Dessa forma, Paulo se vê obrigado à autodefesa, esclarecendo o seguinte: “Pequei, porventura, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de graça vos anunciei o evangelho de Deus? Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo dela salário; e, quando estava presente convosco e tinha necessidade, a ninguém fui pesado” (2 Co 11. 7,8).
Paulo fez sua defesa e passou a gloriar-se não segundo o Senhor, mas como por loucura na confiança de gloriar-se, pois muitos estavam se gloriando segundo a carne, e ele também o fez (2 Co 11. 17,18). A característica principal do falso obreiro é gloriar-se na carne, um ato completamente falível, pois a glória pertence a Deus.
Os obreiros fraudulentos inovam os meios evangelísticos apenas com intenção de receberem glórias dos homens, outros querem os benefícios materiais que isso resulta, outros ainda buscam as vantagens financeiras para se firmar na sociedade, mostrando na aparência o suposto milagre acontecido. As ladainhas (chavões) são as peremptórias que soam como latas vazias num estrondo desiludido. Em função deles encontramos os decepcionados com a graça que, pela frustração do mau testemunho entreviram-se no caminho dos sem ministérios, ou sem congregações. Esses falsos obreiros criaram a raça de zumbis espirituais que vagam de templo em templo buscando a fé que fora destruída pela incontinência doutrinária.
A ênfase dos sermões tem sua base no sobrenatural de Deus, e por buscarem atingir o psicológico do homem para dissuadi-los a proporem-se aos absurdos, constroem uma fé traumatizante. As decepções seguem com suas vitimas dilaceradas pelo postulado decrépito de uma cruz sem efeito. Pois, para os falsos obreiros, a cruz é um bem valioso e de fácil comércio. Vendem-na como um subproduto de fácil aceitação com o objetivo da divinização fora do contexto bíblico. O sacrifício de Jesus é efêmero e não condizente aos fatos da realidade que eles apresentam. Aplicam seus golpes, dissimuladamente, inculcando que as contribuições são para o benefício de uma obra que não existe na realidade de um Deus que se preocupa com tudo.
Eles próprios não se dão a uma renúncia plena, muito menos carregam suas cruzes, menos ainda seguem o Cristo da Bíblia. Para a idolatria o caminho é curto, e como agentes da indulgência espiritual, libertam, curam, operam milagres com o pronome possessivo “eu”. “Eu” quem? Jesus com certeza não é o elemento adjunto que “fez” e que “faz” maravilhas!
As fogueiras santas estão por aí, e seus penduricalhos apresentados com um misticismo não existente em termos bíblicos. Que doutrinas são essas? Inovações em ondas que levam ao naufrágio espiritual e daí para a morte sem Deus. As “metas” são outra constante entre os falsos obreiros, pois estipulam “o que” e “quanto” se deve investir na suposta obra que não visa à coletividade, mas a individualidade e materialismo do gentílico hedonista.
A flexibilidade dos falsos obreiros é impressionante, pois amolecem diante da inflexibilidade bíblica. Se o pecado é condenável diante do Santo de Deus, para os falsos obreiros é apenas um detalhe que pode ser ignorado sem problemas.
Paulo se defendeu do desacato hipócrita para com sua pessoa por não lhes ter exigido salário. Explicou que a razão por não tê-lo feito foi porque não queria entregar uma arma na mão dos seus opositores (falsos obreiros) que a teriam usado contra ele. Queria provar que trabalhava em Corinto de modo totalmente desinteressado quanto a finanças.

V.        Falsos Profetas.

Essa planta quando lançada no meio do trigo, o joio, devasta a lavoura de tal maneira que é exigido muito cuidado para não se perder o trigo bom. O joio é a erva daninha que se assemelha ao produto de cultivo, embrenha-se por entre as ramas e torna-se difícil identificá-lo. Porém, ao crescer é fácil reconhecê-lo, pois suas características em nada se parecem com o trigo.

“É a tradução grega Zizanion em Mt 13.25-27; 29,30. A cizânia (Vicia sativa), espécie de ervilha brava, com folhas pinuiladas e com flores papilionáceas de cor azul-purpurino ou vermelha, facilmente se distingue do trigo. A palavra grega Zizanion corresponde ao vocábulo árabe zuwan, que é o Lolium, e no talmúdico zonin. A cizânia peluda (Lolium temulentum) é uma gramínea venenosa e quase não se distingue do trigo, enquanto ambas as plantas são ainda novas, mas, depois de crescidas, não se confundem mais (vv. 29,30)” [4].

Portanto, é certo dizer em princípio, que não é bom arrancar o joio do trigal, pois ele crescerá e se distinguirá do trigo, podendo assim, na ocasião da ceifa ser separado e lançado no fogo.
Retomamos o assunto do joio para melhor exemplificar a situação do falso profeta. Porque tal elemento também está incorporado no meio da igreja e do povo de Deus. São seres que, em muitos casos se vendem pelo preço de guisado, recusando a primogenitura divina. “Ai deles! Porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Corá” (Jd 11).
Infelizmente, a convivência com os falsos profetas tem trazido muitos transtornos para a obra de Deus, os quais podem ser chamados de “os Tobias e Sambalates da vida”. A todo custo tentam impedir o avanço do Reino de Deus, criando lutas que jamais existirão, aliás, eles próprios se tornam a maior de todas as lutas.
Jeremias falou acerca do falso profeta e, ele mesmo teve um encontro com um. “O falso profeta Hananias” foi uma grande prova na vida de Jeremias. Sua luta contra esse falso profeta foi, digamos, travada. Hananias profetizava tempos de paz e a “quebra do jugo imposto por Babilônia, dizendo que o Senhor traria os utensílios da casa de Deus de volta. Porém, o Senhor estava apertando o povo por causa da rebeldia, e o falso profeta não estava apercebido desse ato divino. Suas palavras eram mentirosas e não continham a veracidade dos fatos, mesmo porque Deus é quem estava operando no meio de Israel.
“E disse Jeremias, o profeta, a Hananias, o profeta: Ouve, agora, Hananias: não te enviou o Senhor, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras. Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; este ano, morrerás, porque falaste em rebeldia contra o Senhor. E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês” (Jr 28.15-17).
Além de profetizar mentiras, o falso profeta induz, por encantamento, a que os que ouvem a Palavra de Deus não alcancem a verdade do evangelho. Observe a atitude de um falso profeta em Pafos, chamado Barjesus – Elimas o encantador. Resistia a Paulo e a Barnabé e procurava apartar da fé o proconsul Sérgio Paulo, varão prudente e que procurava ouvir a Palavra de Deus (At 13. 4-8).
“... Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando os olhos nele, disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?” (At 13. 9,10). O falso profeta transtornava os caminhos do Senhor e Paulo o repreendeu com severidade, pois o encantador ficou cego, sem ver o sol por algum tempo (At 13. 11). Com o fato ocorrido o proconsul creu, maravilhado da doutrina do Senhor (At 13. 12). A autoridade de Paulo é notória nesse episódio, pois seu discernimento o fez entender que se tratava de um falso profeta, mais propriamente dito, um adivinhador.
A vida eclesiástica, atualmente, tem revelado muitos falsos profetas. Alguns deles são os profetas da “prosperidade”, outros são os “casamenteiros”, outros ainda são os “profetas da morte”, qualquer coisa é motivo de profetizarem a morte. Alegam supostos pecados escondidos, mal sabendo que estão pecando contra Deus, proferindo palavras que não foram ordenadas pelo Senhor.
O apóstolo Pedro, em sua segunda epístola, fala acerca dos falsos profetas como que negando ao Senhor, introduzindo heresias de perdição, mas que trarão sobre si mesmos repentina perdição (2 Pe 2. 1). Note bem, “e muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2 Pe 2. 2,3).
O negrito é proposital, pois é dessa forma que os falsos profetas valem-se para se beneficiarem da fé alheia. Muitos já perceberam a carência espiritual dos homens e, em função disso, promovem suas dissoluções levando-os a acreditarem no fingimento de suas palavras que, ao final se desvanecem na frustração da promessa não cumprida.
Os falsos profetas estão por aí, entre o povo de Deus, buscando vítimas para saquearem o que eles têm de melhor, suas almas. Suas palavras jamais poderão surtir efeito algum, pois se trata de engodo maligno cm o fim único de satisfazerem seus caprichos egocêntricos. Nenhum falso profeta fala a verdade, sua intenção é atingir o máximo de sua avareza. E, finalmente, podemos discerni-los através da genuína Palavra de Deus, a qual através de Pedro revela: “Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites cotidianos; nódoas são eles, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição; os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça” (2 Pe 2. 12-15).
“... porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4. 1). São vaticínios reveladores quanto à grande verdade do Senhor que, nos exortando, alerta-nos a que não nos coloquemos sob seu jugo, pois não confessam que Jesus Cristo veio em carne, tornando-se emissários do anticristo. “Do mundo são; por isso, falam do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos, aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro”. (1 Jo 4. 5-,6). Portanto, oremos para que o Senhor possa nos livrar desses oportunistas que mercadejam com o sagrado e a fé que uma vez foi dada aos santos, e que por ela possamos batalhar continuamente.

VI.       Falsos Cristos.

Essa é mais uma característica do joio, querer parecer com o Senhor em todos os seus aspectos, isto é, sua infiltração é totalmente dissimulada. Porém, há um vaticínio da parte de Deus quanto a esses falsos cristos que, supostamente se apresentam como milagreiros e sonhadores. Visionários de oportunidades que conseqüentemente levam ao erro. Deus disse: Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos, porquanto o Senhor, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, com todo o vosso coração e com toda a vossa alma.
Atualmente vemos muito casos de rebeldia contra Deus e contra a sua Palavra, são os “crentões” que não se submetem às ordenanças estabelecidas pelo Senhor. Rebelam-se e saem para abrir suas portinholas com placas sugestivas que persuadem os incautos a caírem em seus “marketings” implacáveis. Geralmente a prédica é a mesma, usando de lisonjas atraem os néscios com o fim único de prendê-los a um jugo inexistente na doutrina bíblica. Estes apresentam um Cristo simplório e sem eficácia, porém o mais milagreiro já existente.
Jesus é o Senhor dos senhores e Rei dos reis, sem dúvida, mas a estratégia do falso cristo é justamente apresentar um replicante à altura do original. Inventam um cristo descaracterizado de si mesmo que jamais poderá se igualar ao único e soberano Filho de Deus. Com o intuito de atrair uma “clientela” consumista, principalmente no campo da fé. Usam de alguns argumentos que chega a ser ridículo diante da revelação bíblica.
“Não saia do seu lugar...”, pois a verdade é Cristo Jesus, único salvador e senhor de nossas vidas, a ele devemos honrar com nossa obediência, ficando em sua dispensação.
Dizem os apóstolos do oportunismo que em suas igrejas o Senhor faz mais do que se possa imaginar. Oferecem o imediatismo das realizações utópicas que se desmancham na decepção espiritual, porque os milagres oferecidos muitas vezes são rotulados pelas palavras do consumismo frenético de algo irrealizável. Suas artimanhas se entrelaçam com a difamação de outras instituições dizendo que o “tempo passado lá” foi desperdiçado e que agora, “você vindo para cá, Deus vai te abençoar e trará uma nova unção na sua vida”. Veja bem, é necessário discernir entre o que Deus permite que se faça e o que nos induzem a fazer, pois uma coisa é Deus operando, outra é o homem se impondo sobre Deus.
Os apóstolos do anticristo não cessam de buscar ocasião para fazerem seguidores, suas metas se confundem com “sinais e prodígios”, e o mais comum nos dias de hoje são os milagres “materialistas”, aqueles que são representados pelas chaves de casas, chaves de carros, portas de empregos com salários altíssimos, campanhas desafiadoras no sentido financeiro... – entre outras coisas mais.
Foram citados, alguns parágrafos atrás, as “fogueiras santas” e os “penduricalhos místicos” que são utilizados com fins lucrativos. Mas, aqui o apresentaremos como uma forma de idolatria. A adoração de objetos, supostamente consagrados, é oferecida como meio de quebrar maldições que nunca existiram, a não ser que o sacrifício de Jesus tenha sido em vão? Cremos que não!
O fato é que muitos estão apresentando falsos cristos com o fim de promoverem suas realizações egocêntricas sem o menor respeito e reverência ao Verdadeiro Filho de Deus. Os absurdos são incontáveis, e pela revelação da santa Palavra de Deus, podemos observar essa grande verdade através do que Jesus disse: “Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui ou ali, não lhe deis crédito, porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito” (Mt 24. 23,24).
João, o apóstolo, com profundo amor escreveu a respeito dos falsos cristos, denominando-os de “os anticristos”. Na sua primeira carta ele fala da última hora e de como os irmãos estão inteirados da vinda do anticristo, e que agora muitos se tem feito anticristos.
Daí o conhecimento de que já é a última hora. Observe que a revelação é: os tais “saíram de nós, mas não eram de nós; porque se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” (1 Jo 2. 19). Ora, será que é impossível detectar esses embusteiros? Será que nosso discernimento, baseado na verdade representada pela unção do Santo, está desgastada pela frieza espiritual? Ou será que o comodismo tem nos afogado nas revelações inventadas que nos colocam em cadeias espirituais e não estamos apercebidos?
Certo é que Jesus é o único unigênito do Pai, a ele toda honra e toda glória desde hoje e para todo o sempre, pois na revelação de João encontramos a base para não nos deixarmos enganar pelos anticristos. Tal revelação nos diz o seguinte: “E vós tendes a unção do Santo e sabeis tudo. Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade” (1 Jo 2. 20,21).

VII.     Falsos Mestres.

A última característica que podemos observar no “joio” é a falsidade quanto ao ensino da Santa Palavra de Deus – o falso mestre. A eles são atribuídas causas em que muitos desviam “inocentes” cristãos dos retos caminhos do Senhor, pois seus ensinamentos são corruptores.
Assim como “houve entre o povo falsos profetas, haverá falsos doutores” com intenções de introduzir, dissimuladamente, heresias de perdição e por suas atitudes “negarão ao Senhor que os resgatou...” Os falsos mestres são implacáveis em seus ensinamentos, isto é, o pano de fundo é somente a avareza, fazendo de suas vitimas o elemento alvo para atingirem seus objetivos.
O apóstolo Pedro fala com severidade a respeito do falso mestre, mas também exorta àqueles que se deixa enganar pelos tais. Observe estas palavras: “Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva; porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne e com dissoluções aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal também se faz servo” (2 Pe 2.17-19). Que maravilha! Pedro foi divinamente usado pelo Senhor para nos alertar acerca dos falsos mestres.
Em sua segunda carta ele continua sua exortação, mostrando o que fazer para ser livre dessa cilada. Os cristãos genuínos em Cristo Jesus, devem atentar mais profundamente quanto aos fatos que cercam a vida espiritual, a qual foi outorgada pelo novo nascimento em Jesus. Pois se a realidade desses dias revela oportunistas com suas invencionices, então cremos que a Palavra de Deus se cumpre cabalmente. As profecias nela contidas jamais poderão ser modificadas, ainda que falsos mestres a queiram interpretar com suas maquiagens extraordinárias.
Não serão as exegeses humanistas que farão a diferença na vida do ser humano, mas sim a simplicidade da fé depositada na pessoa do Salvador, e na crença do sacrifício salvífico. Veja o que diz Hebreus: “Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições” (Hb 10. 32).
Essa iluminação representa a presença salvífica de Jesus Cristo em nossas vidas. Por ela somos mais que vencedores. Ainda assim, não podemos esquecer as aflições que permeiam a vida ativa do verdadeiro cristão, pois não serão as promessas utópicas dos falsos mestres que farão da santidade mais ou menos eficaz quanto ao que se espera do Senhor.
O sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado. E uma vez estando sob esse sangue purificador recebemos também os benefícios que ele nos proporciona. Não são necessárias inovações fantasiosas para se obter santificação ou milagres condicionados aos bens materiais. Os ensinamentos dessa atualidade esbarram nas lendas homéricas da satisfação pessoal, egoísta e sem propósito já que a doutrina de Deus é fazer com que nos despojemos de tudo o que o mundo oferece para alcançarmos a estatura de varão perfeito em Jesus Cristo.
O que dizer então sobre as palavras que Paulo disse: “Não sejais, pois, blasfemado o vosso bem; porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). Ora, se o Reino de Deus não é comida nem bebida, porque então somos levados ao materialismo do “come, bebe, folga?” Será mera hipocrisia, ou é um meio de auto-afirmação frente a uma sociedade que se confunde no pecado e na própria existência? Aliás, essa confusão indica fortemente a precisão da Palavra de Deus!
Enfim, é preciso dedicação e meditação na Palavra de Deus, pois ela revela o “que” e “como” agir diante dos ensinos subtraídos da gnose humanista que enfatiza o super-homem que o homem não é. Os falsos mestres estão contribuindo para a morte de um Deus que jamais morrerá, pois sua Onipotência concentra toda a sorte da humanidade, e não haverá super-homem que o mate.
Atualmente se observa, nos meios eclesiásticos, certa superioridade daqueles que julgam deter o “poder inovador”, e que podem solucionar todos e quaisquer problemas. Porém, a insensatez desses atores clericais se rompe quando são enquadrados na sã doutrina do Senhor. Então o super-homem cai por terra e Deus, como criptonita, os enfraquece levando-os a reconhecerem o seu fracasso.
“Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”. (2 Tm 4.3,4). Essa é uma das revelações que as Sagradas Escrituras encerram sob a orientação do apóstolo Paulo a Timóteo. Nela observamos a exortação quanto aos falsos doutores. A Bíblia é maravilhosa, pois elucida toda e qualquer dúvida quanto ao comportamento e obediência a Deus! Já em sua carta escrita a Tito, Paulo, também fala a esse respeito com muita severidade, dizendo: “Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém, por torpe ganância. [...] Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra”. (Tt 1. 10,11,16).
Portanto, devemos encarar a situação como um grande desafio dessa última hora, pois o “joio” foi lançado no trigal do Senhor pelo inimigo para destruir a caminhada de muitos sob falsos ensinamentos. Suas heresias permeiam muitos púlpitos em nossas igrejas e há aqueles que aprovam novidades sem fundamentos bíblico-doutrinários. A escolástica desses latoeiros é causar muitos males à seara do Senhor, pois se o trigo se contaminar não haverá pão para os famintos – O EVANGELHO DE PODER QUE SALVA, CURA E LIBERTA o homem de seus pecados...

Obras Consultadas. 

ALMEIDA, J. F. (1995). BÍBLIA SAGRADA - Revista e Corrigida. Barueri - SP: Sociedade Bíblica do Barsil - SBB.
ALMEIDA, J. F. (1975). CONCORDÂNCIA BÍBLICA. Brasília - DF: Sociedade Bíblica do Brasil - SBB.
David GORODOVITS, J. F. (2006). BÍBLIA HEBRAICA. São Paulo: Editora e Livraria SÊFER Ltda.
MEARS, H. C. (1996). ESTUDO PANORÂMICO DA BÍBLIA. São Paulo: Editora Vida.
NASCIMENTO, L. A. (1986). CARTA AOS GÁLATAS. Rio de Janeiro: CPAD.
OLSON, N. L. (1992). O PLANO DIVINO ATRAVÉS DOS SÉCULOS - Estudo das Dispensações. Rio de Janeiro: CPAD.
PEARLMAN, M. (1995). ATOS: E a Igreja se Fez Missões. Rio de Janeiro: CPAD.
PENTECOST, J. D. (2006). MANUAL DE ESCATOLOGIA - Uma análie detalhada dos eventos futuros. São Paulo: Editora Vida.
PFEIFFER, C. F., & HARRISON, E. F. (1993). COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY - Volume 1. São Paulo: IBR. 




[1] DAVIS. John D. Dicionário da Bíblia. Trad. Do Ver. J. R. Carvalho Braga. 17ª edição. Rio de Janeiro. JUERP. 1993
[2] PEARLMAN. Myer. Atos: e a Igreja se Fez Missões. 1ª ed. Rio de Janeiro. CPAD. 1995.
[3] PEARLMAN. Myer. Atos: e a Igreja se Fez Missões. 1ª ed. Rio de Janeiro. CPAD. 1995.
[4] DAVIS. John D. Dicionário da Bíblia. Trad. Do Ver. J. R. Carvalho Braga. 17ª edição. Rio de Janeiro. Juerp. 1993

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